domingo, 5 de junho de 2011

V Percurso Literário - "Ao Encontro de António Gedeão / Rómulo de Carvalho



Bibliotecas do AEOB e do IPSB



    No dia 28 de Maio lá fomos nós rumo a Coimbra “Ao Encontro de António Gedeão/Rómulo de Carvalho”. O dia prometia… O céu estava limpo, o sol radioso, a temperatura agradável para quem gosta de tempo quente e os participantes bastante animados.

Chegámos à Praça D. Dinis da Universidade de Coimbra à hora prevista e dirigimo-nos logo para o Departamento de Física, onde funciona o Centro de Ciência Viva Rómulo de Carvalho (CCVRC). Aí fomos recebidos pela Dr.ª Maria João, bibliotecária do CCVRC, que nos encaminhou, através de um longo e escuro corredor, para o anfiteatro, local onde o Professor Doutor Carlos Fiolhais, Director do CCVRC, nos iria falar de “Ciência na Poesia de António Gedeão”.
O dia já estava ganho… Comunicador por excelência, o Professor Carlos Fiolhais, numa linguagem clara, acessível e bem-humorada, proporcionou-nos um encontro muito agradável com António Gedeão/Rómulo de Carvalho. Começou a sua intervenção apresentando-nos as razões que justificaram a criação do CCVRC, nomeadamente, a homenagem que este Departamento quis prestar ao grande cientista, professor, pedagogo, historiador, ilustrador e poeta Rómulo de Carvalho. Contou-nos alguns dos episódios mais marcantes da sua vida e realçou o grande contributo dado ao ensino da Ciência em geral e da Física em particular, bem como a originalidade da sua obra literária - a simbiose perfeita entre a ciência e a poesia, a vida e o sonho…
A poesia esteve muito presente nesta palestra. Os poemas “Pedra Filosofal”, “Poema para Galileo”, “ Máquina do Mundo”, ”Lágrima de Preta”, e “Poema do Coração” mereceram destaque especial. Os alunos Jéssica Ferreira, Hugo Luís e Natália Mozolev (do IPSB) prontificaram-se a recitar três deles e o Professor Carlos Fiolhais declamou os restantes. A assistência acompanhou com muito interesse este momento, aplaudindo vivamente.
“Memórias”, a obra póstuma de Rómulo de Carvalho (para instrução e divertimento dos seus tetranetos), também foi referida e aconselhada. Este “romance de uma vida” apresenta as suas vivências na sociedade em que nasceu, se tornou adulto e trabalhou, ao longo de quase um século de vida. É também rica em informação, especialmente no que concerne à evolução da escola e do ensino em Portugal.
Depois do almoço, na frondosa Mata do Choupal, demos cumprimento à segunda parte do percurso: a visita à Biblioteca Joanina, Prisão Académica e Capela de S. Miguel.
Quem não sabia ficou a saber que na exuberante Biblioteca Joanina há uma colónia de morcegos que ajudam a conservar os livros, comendo os insectos que deles se alimentam. O estilo é barroco e o custo da obra foi suportado pelo ouro vindo do Brasil, no reinado de D. João V, cujo retrato sobressai na parede do topo do edifício. Tem mais de 200 000 livros que poderão ser consultados, se para isso for feito um pedido, justificando os motivos pelos quais se querem consultar.
Ficámos também a saber que era na Prisão Académica que os alunos “mal comportados”, segundo os padrões educacionais da época, cumpriam alguns castigos.
Da capela de S. Miguel, de estilo manuelino, último monumento a visitar e depois de um compasso de espera – estava a realizar-se um casamento - merece especial destaque o imponente órgão barroco (1713), com caixa decorada com motivos chineses e o revestimento azulejar da capela-mor e do altar-mor que data de 1613.
Regressámos a Oliveira do Bairro mais ricos e, certamente, com vontade de conhecer mais sobre este escritor e leitor ávido, que absorvia o que de mais interessante encontrava, para, a partir daí, produzir a sua obra.
No próximo ano, o VI Percurso Literário, provavelmente, será “Ao Encontro de Luís de Camões e Fernando Pessoa”.
Até lá.


Fontes
BIBLIOTECA NACIONAL- Memórias. [acedido a 30, Maio, 2011]. Disponível em URL: http://purl.pt/12157/1/outros-textos/memorias1.html
FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN - Fundação publica memórias de Rómulo de Carvalho. [acedido a 30, Maio, 2011]. Disponível em URL: http://www.gulbenkian.pt/index.php?article=2873&format=404

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